SEM-TERRA FAZ NA TRINCHEIRA VIGÍLIA DA REFORMA AGRÁRIA

Sororó quer dizer briga, distúrbio. Não havia mesmo nome melhor para batizar esse imenso pedaço de selva amazônica, apenas um dos muitos lugarejos do sul do Pará onde a lei não está nos compêndios, mas nos coldres. Lá para dentro de Sororo, entre os municípios de Marabá e Carajás, perdo da ponta mais visível do chamado Bico do Papagaio, cerca de 500 sem-terra esperam, há seis meses, a reforma agrária que, acreditam, virá com o próximo presidente. Eles estão armados, fazem vigília em trincheiras 24 por dia e, garantem, só saem de lá mortos. É uma guerra anunciada. A gente sabe que é um direito nosso, um dever da gente, mas ninguém aqui
82125 vai votar no dia três de outubro. É que temos medo que eles (os donos da
82125 terra) aproveitem nossa ausência para nos tirar daqui. Depois a gente
82125 explica ao juiz, ele vai entender, alega um dos líderes dos sem-terra, o único que se identificou. "Meu nome é Jairo e só vou trazer minha mulher e meus filhos para cá depois que tiver certeza de que ninguém vai me tirar daqui". De bermuda, descalço e sem camisa, Jairo está rodeado por pelo menos 30 homens armados com espingardas e carabinas de caça, calibres 22 e 28. "Nossas armas são a enxada e a foice, mas com elas a gente não pode se defender dos ataques", explica. A área em questão é de propriedade da Companhia Siderúrgica do Pará (Cosipar) e faz parte de um conjunto de fazendas denominado Sororó, com um total de 25 mil hectares. De acordo com a Comissão Pastoral da Terra (CPT) de Marabá, há 20 áreas de conflito só no município, de 14.320 quilômetros quadrados (JB).