ELEIÇÃO FAZ EMPRESAS SEGURAREM PREÇOS

Se depender dos grandes empresários da indústria no país, não haverá aumentos de preços em setembro. Faltando um mês para o primeiro turno das eleições presidenciais, os principais formadores de preços-- a maioria, oligopólios-- estão dispostos a colaborar para garantir a vitória de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) na corrida presidencial. De preferência, para que o candidato tucano vença as eleições no primeiro turno e começe o mais rápido possível os ajustes do Plano Real, preparando o terreno para as reformas que devem ocorrer no ano que vem, como as privatizações, quebra de monopólios e reforma da Previdência Social. Alguns destes empresários, no entanto, reconhecem que não estão fazendo sacrifício em colaborar com o plano e impedir o repasse aos preços da inflação de quase 12% acumulada nos dois primeiros meses da nova moeda. Na verdade, os preços já subiram muito a partir da adoção da URV, em 1o. de março, e ainda têm gordura para ser queimada. As remarcações das indústrias foram feitas na virada de março, quando as tabelas de preços foram transformadas de cruzeiros reais para URV. No varejo é que os preços subiram muito em fins de junho. Por trás do discurso dos empresários, no entanto, ronda o fantasma da indexação, ainda que de forma velada. Há quem critique os financiamentos em TR. Outros começam a se queixar da pressão de fornecedores por aumentos (JB).