O PT entrou ontem com uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo que seja investigado o teor das declarações feitas pelo ministro da Fazenda, Rubens Ricúpero, no último dia 1o. à noite ao jornalista Carlos Monforte, pouco antes de gravar uma entrevista ao "Jornal da Globo". Segundo PT, o ministro teria assumido na conversa, captada nas TVs de telespectadores que tinham antena parabólica, que está empenhado em ajudar a campanha à Presidência do candidato do PSDB, Fernando Henrique Cardoso. Entregue pelo candidato do PT ao governo do Distrito Federal, Cristóvam Buarque, e pelos deputados do DF Chico Vigilante e Maria Laura, a representação também pede a inclusão do ministro no inquérito que apura o uso da máquina pública em favor de Cardoso. Com isso, Ricúpero corre o risco de ser alvo, como seus colegas Alexis Stepanenko (Minas e Energia) e Aluízio Alves (Integração Regional), da investigação pedida pela Procuradoria-Geral da República ao TSE. O ministro da Fazenda ficou sabendo na hora que a conversa informal estava sendo transmitida e passou o dia de ontem em casa, sem ir ao ministério. No meio da tarde, telefonou ao presidente Itamar Franco para dar explicações. Disse que suas manifestações foram em "tom de galhofa" e que se permitiu "essa brincadeira" por ter intimidade com Monforte, de quem é primo. Segundo o porta-voz da Presidência, Fernando Costa, Itamar ouviu as justificativas de Ricúpero sem fazer comentários. A assessoria de Ricúpero aconselhou-o a ficar afastado da imprensa até avaliar o impacto do caso sobre o governo e a campanha de Cardoso. Monforte também não quis comentar o episódio. "Não posso dar entrevista porque estou impedido pelo meu contrato e a TV Globo não vai se pronunciar", disse. Na representação ao TSE, o PT destaca trechos das declarações do ministro da Fazenda, nos quais afirma que "o PT não pode estar crescendo, pois eu estou 24 horas no ar falando a favor do plano". Para o advogado do PT, Claudismar Zuporini, "a inesperada confissão de Ricúpero o converte no mais importante cabo eleitoral de Cardoso". Depois de entregar o pedido ao TSE, o deputado Chico Vigilante defendeu a cassação de Cardoso e a demissão do ministro (O ESP).