As saídas para o desemprego no Brasil estão na reabilitação da pequena propriedade rural, na melhor utilização dos recursos naturais, nas obras públicas e nos serviços sociais. Essa afirmação foi feita ontem pelo sociólogo e professor polonês Ignacy Sachs, do Centro de Pesquisas sobre o Brasil Conteporâneo, da Escola de Altos Estudos em Ciência Sociais da França, durante sua visita à UNICAMP para a palestra "Que Modernidade para o Brasil? Emprego Rural e Desenvolvimento". Segundo Sachs, o governo deve reavaliar os recursos disponíveis e destinar parte deles a finalidades sociais. "Não sou contra as campanhas assistencialistas como a encabeçada pelo sociólogo Herbert de Souza, mas a verdade é que isso não resolve o problema do desemprego e subemprego mundial, que corresponde a 820 milhões de pessoas ou 30% da mão-de-obra do mundo", observa. Para Sachs, as campanhas assistencialistas não resolvem a questão porque o excluído continua fora do sistema produtivo. De acordo com Sachs, há poucas chances de resolver o desemprego no país apenas pelo desenvolvimento da indústria. Ele disse ser necessário que o governo incentive o acesso à terra, através de melhores créditos aos pequenos proprietários rurais e oferecendo os mais modernos. "O Brasil tem condições excepcionais para partir para o uso energético da biomassa, que gerariam empregos rurais, tanto agrícolas quanto florestais, e nas agroindústrias", ressalta. De acordo com o sociólogo polonês, o atual modelo econômico adotado pelo Brasil, baseado no crescimento da produtividade sem criação de novos empregos, tende a aumentar o número de excluídos sociais. "A finalidade do desenvolvimento é social, baseado no princípio da solidariedade ética", disse. Sachs também não acredita na eficácia do programa de renda mínima, defendido pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP). "É o mesmo que pagar a alguém para continuar de fora do sistema produtivo", analisa. Em sua opinião, seria mais eficaz o governo conceder bolsas de estudo às crianças carentes (GM) (O ESP).