O embaixador da Argentina no Brasil, Alieto Guadagni, previu que em pouco tempo o Brasil estará importando US$40 bilhões anuais. Previu também que a Argentina vai aumentar de 10% para 15% a sua participação neste bolo, exportando US$6 bilhões anuais para o Brasil. Guadagni foi o grande defensor do MERCOSUL no último dia 31, último dia da 10a. Convenção Anual dos Bancos Privados da Argentina, realizada em Buenos Aires e promovida pela Associação de Bancos Argentinos (Adeba). O curioso, porém, é que o tema oficial do dia era o NAFTA. É significativo também que, com a Argentina recén-saída da assinatura de um acordo ambicioso e complexo com o MERCOSUL, a Adeba tenha preferido escolher o NAFTA como tema. As discussões anuais das convenções da Adeba têm grande influência na pauta das transformações econômicas e sociais da Argentina. Ninguém atacou abertamente o MERCOSUL, mas sobraram algumas farpas, especialmente do diretor-geral do Centro de Estudos Macroeconômicos da Argentina (CEMA), Carlos Rodrigues. Ele comparou o MERCOSUL a "um casamento de pessoas imaturas", que não sabem bem porque estão se casando. Para ele, uma entrada no NAFTA, pelo contrário, por se uma parceria com países maduros em termos de política comercial, daria "estabilidade e credibilidade à política comercial argentina". Ele frisou, no entanto, que o MERCOSUL é um fato consumado e que as regras do jogo têm que ser respeitadas. Para o embaixador Guadagni, o MERCOSUL é a "melhor decisão estratégica que a Argentina poderia ter tomado para se inserir no mundo". Ele observou que 28% das exportações argentinas são para o MERCOSUL, ante apenas 12% para o NAFTA. Se forem incluídos o Chile e a Bolívia, que já manifestaram o desejo de se aproximar do MERCOSUL, este número vai a 34% (GM).