FALTA PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO ENTRE CALÇADISTAS

Transformar as vendas de calçados para os vizinhos da Argentina, Uruguai e Paraguai em exportações estruturadas, segundo o cronograma de abertura de fronteiras no MERCOSUL, vem sendo o desafio enfrentado por empresários calçadistas do Vale dos Sinos (RS). Acostumados a vendas nos três países, em razão da proximidade geográfica, somente agora é que as potencialidades do MERCOSUL-- especialmente de compradores argentinos-- estão sendo avaliadas como possibilidades de negócios estratégicos. O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) e dono da Ortopé, fábrica de calçados infantis em Gramado (RS), Horst Wolk, sabe que os calçadistas do Vale não têm estratégia consolidada para ingressar e permanecer no MERCOSUL. "Esses três países estão sendo acessados, por enquanto, por quem produzia apenas para o mercado interno", avalia Horst. Ele destaca que as indústrias estão aproveitando o ingresso nesses países com modelagem brasileira, mas os volumes negociados são ainda muito pequenos. As exportações brasileiras de calçados para o MERCOSUL atingiram, no ano passado, US$46 milhões. Os fabricantes do setor calçadista de Franca (SP) acreditam estar preparados para a abertura das fronteiras proporcionada pelo MERCOSUL. Segundo o diretor do Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca, Ivânio Batista, a Argentina, principalmente, é um mercado bastante atraente, de 25 milhões de pares importados por ano (GM).