Em 1991, havia 198 mil focos de queimada em todo o país. Neste ano, dados compilados até agosto revelam um decréscimo para 40 mil. As queimadas na Amazônia, estampadas em manchetes nos jornais das principais capitais do mundo, fizeram do Brasil o vilão do meio ambiente global. Hoje, o governo brasileiro, com números menos catastróficos para exibir, conta com o apoio de países que antes costumavam acusá-lo. A Inglaterra tem visão semelhante à brasileira sobre o desenvolvimento sustentado das florestas, disse ontem o ministro britânico do Meio Ambiente, John Gummer. Ele estará hoje em Belém (PA) em companhia de seu colega Henrique Brandão Cavalcanti, visando projetos ambientais conjuntos. A posição britânica é de incentivar pesquisas para conhecer melhor a biodiversidade, de forma a que a exploração das florestas, de modo sustentado, não perturbe o meio ambiente. Gummer e Cavalcanti estão preparando posições comuns para apresentar na Conferência sobre Desenvolvimento Sustentado, em abril de 1995, em Nova Iorque (EUA). É preciso que surjam da conferência meios efetivos para se lidar com as florestas, em outras palavras, "um programa prático sobre como produzir o desenvolvimento sustentado", disse Gummer. A Inglaterra também está ajudando o Brasil na coordenação de um projeto de plantas aromáticas, que, numa primeira fase, visa detectar as principais culturas que interessariam ao mercado. O segundo estágio do projeto será o de implantação de empresas que produzirão sementes e gerarão empregos. Um outro programa conjunto é o dos besouros, na reserva do INPA, em Manaus (AM). "Estamos selecionando alguns indicadores-- como os besouros--, para explicar como funciona o ecossistema", diz Cavalcanti (GM).