Brasil e Venezuela concluíram em Puerto Ordaz, a 750 km de Voa Vista (RR), uma pauta de intenções marcando o primeiro passo concreto para a criação de um mercado comum na região, embrião do Merconorte, a área de livre comércio que, a exemplo do MERCOSUL, derrubará fronteiras alfandegárias com nações ao norte do continente sul-americano. Durante as reuniões, autoridades e técnicos dos dois países e alguns convidados representando organismos internacionais, definiram as diretrizes de integração regional e desenvolvimento econômico, fronteiriço e comercial nos Estados de Bolívar (Venezuela) e Roraima (Brasil). Dessa pauta nascerá o acordo bilateral de complementação econômica que compreende o comércio de fronteira, ordenamento territorial e projetos especiais nas áreas agrícola, turística, educativa, pequena e média empresa, ciência e tecnologia. Os dois lados têm um desejo em comum: o estabelecimento de uma zona de livre comércio envolvendo a cidade venezuelana de Santa Elena do Uairén e a pequena vila brasileira de Pacaraima. Dois problemas, no entanto, já surgiram nas negociações preliminares. O governador de Roraima, Ottomar de Souza Pinto, quer o asfaltamento da BR- 174 entre Manaus-Boa Vista-Pacaraima, com 950 km, dos quais 360 km já foram pavimentados pelo estado com recursos próprios, sem ajuda federal, e a consolidação da hidrovia Manaus-Caracaraí, tornando o rio Branco navegável o ano inteiro, complementando a infra-estrutura de transporte para atender à futura zona de comércio. Por seu lado, o governador de Bolívar, Andrés Velásquez, pede que as autoridades brasileiras controlem a presença de garimpeiros ilegais na região (O ESP).