A Autolatina começa a se desintegrar. Ford (49%) e Volkswagen (51%), que se uniram em 1986 para formar uma das maiores empresas nacionais, já iniciaram o processo de separação. Um grupo de trabalho, formado em Buenos Aires (Argentina) no último dia seis de julho, decide o futuro das duas empresas. O grupo de executivos alemães (VW) e norte-americanos (Ford) voltou a se reunir há cerca de um mês em São Paulo. Entre as decisões tomadas pelos executivos das duas empresas matrizes, a principal diz respeito aos produtos, e já foi oficializada pelo presidente da Autolatina, o belga Pierre-Alain de Smedt: não haverá mais carros híbridos-- plataformas Ford com motores VW e vice-versa (caso do VW Logus). Isso significa que o objetivo principal da associação, diminuir as inversões para o lançamento e início de produção de um novo modelo, deixa de existir. Significa, na prática, que os VW Logus e Pointer e o Ford Versailles estão com seus dias contados. Ao término de sua vida útil como produtos vendáveis, vão cessando de ser produzidos. A ruptura ocorreu a partir das dissensões geradas pela negativa da Volkswagen-- acossada pela sua rede de distribuidores-- em compartilhar com a Ford a plataforma do novo Gol. O mercado hoje é comprador de carros populares, mais baratos. Cai a venda de carros médios e grandes, em proveito dos pequenos. A Ford não tem modelo na faixa inicial. Ontem, em Brasília (DF), o presidente da Autolatina comunicou ao presidente Itamar Franco a redução de US$500 no preço do Fusca, que passa a custar US$6.750 (FSP).