O candidato do PSDB à Presidência, Fernando Henrique Cardoso, usa na campanha de televisão o mesmo slogan que o presidente norte-americano Bill Clinton utilizou para se eleger, em 1992. "He will put people first", dizia o marketing da campanha do candidato democrata. A frase, adaptada pelo candidato tucano, foi traduzida assim: "As pessoas em primeiro lugar". A semelhança pode ter sido influência do consultor eleitoral da Casa Branca, James Carville, que teria sido contratado pelo PSDB, segundo revelou o jornal "Washington Times". Um integrante do comando da campanha confirmou que Eduardo Jorge Caldas, assessor especial de Cardoso, já fez duas viagens para encontrar-se com Carville. Embora tenha lembrado que "só casualmente" não participou de encontro com consultores vindos dos EUA, o presidente do PSDB, Pimenta da Veiga, desmentiu a existência de um contrato. O candidato do PSDB acompanhou de perto a escolha da firma de James Carville para prestar assessoria à sua campanha. Sérgio Motta e Sérgio Machado, da equipe de FHC, Eduardo Jorge Caldas, seu ex-chefe de gabinete, e o ex-governador Tasso Jereissati cuidaram da concorrência nos EUA e pediram sigilo absoluto às empresas estrangeiras participantes. As informações foram dadas ontem ao "Jornal do Brasil" por fonte do meio publicitário, sob a condição de anonimato. Carville, apresentado a Cardoso por amigo comum, também assessor de Clinton, ganhou a concorrência e já esteve, pelo menos, três vezes no Brasil. O consultor favorito de Clinton tem dois assistentes em Brasília (DF), mas outro analista tem viajado ao Brasil a cada duas semanas. A assessoria de Carville poderia estar custando US$1 milhão. Em julho, Carville enviou ao Congresso norte-americano a relação de seus clientes, locais e internacionais, da qual não constava o PSDB. Por essa omissão, poderá complicar-se perante o Congresso. Eduardo Jorge Caldas, assessor especial de FHC, fez duas viagens aos EUA desde o início da campanha. Em ambas, encontrou-se com o consultor eleitoral James Carville, segundo confirmou ontem um integrante do comando da campanha. Ele revelou também que Carville esteve no Brasil há três meses, para acertar sua participação na campanha de Paulo Maluf. Como o prefeito de São Paulo desistiu de concorrer pelo PPR, o americano conversou com os tucanos em São Paulo sobre a candidatura Fernando Henrique. Apesar dos desmentidos sobre a existência de contrato com consultores norte-americanos, outras fontes da assessoria do candidato informam que, realmente, nos primeiros dias da campanha, houve reuniões informais com os norte-americanos sobre a estrutura e os rumos de uma campanha eleitoral. Comentam, também, que o contato com os consultores teria sifo feito por intermédio de amigos que o candidato tem entre os acadêmicos do Partido Democrático. Além do slogan, há outras semelhanças entre as estratégias de marketing do programa eleitoral de FHC e Clinton. O cenário da abertura do programa de Fernando Henrique espelha a mesma idéia do programa exibido nas emissoras dos EUA na época da disputa entre Clinton e George Bush. Os dois aparecem em seus escritórios, atrás de uma escrivaninha ou falando ao telefone. Os caracteres (letras) usados nas duas propagandas são idênticos, e apresentam palavras sublinhadas por traço vermelho. O enquadramento do candidato do PSDB usado em seu programa eleitoral tem, repetidas vezes, o mesmo ângulo em que Clinton é focalizado, quase sempre do lado esquerdo (JB).