O governo brasileiro vai receber normalmente refugiados cubanos, como fez com os sete "balseros" recolhidos em alto-mar por um navio de bandeira mexicana e deixados no último dia 29 em Salvador (BA), mas não dará a eles status de exilados políticos ou dispensará qualquer privilégio. A informação é do conselheiro Frederico Duque Estrada, do Itamaraty, que vem acompanhando as notícias de uma possível transformação do Brasil em rota de fuga de cubanos insatisfeitos com o regime de Fidel Castro, depois que o governo dos EUA restringiu a imigração. O critério definido para os cubanos é o mesmo aplicado a angolanos, haitianos, iugoslavos, nigerianos e outros refugiados que, por razões diversas, enfrentam problemas migratórios. Diferentemente dos exilados, aceitos em circunstâncias especiais devido a perseguição política no país de origem, os cubanos, segundo Duque Estrada, foram admitidos apenas como refugiados, sem classificação da natureza. Para esses casos, tanto faz que o pedido de refúgio seja de natureza econômica, racial e religiosa, ou em consequ"ência de guerra civil, ou de frustração pessoal. Nessa condição, os refugiados cubanos terão direito de ir e vir, trabalhar, casar e desenvolver atividade econômica. As viagens ao exterior, porém, estão condicionadas ao aval do Alto Comissariado das Nações Unidas para refugiados (Acnur), a cuja tutela eles estão entregues (O ESP).