Argentina e Venezuela são os dois países da América Latina onde ocorreu a mais rápida expansão da pobreza e da concentração de renda durante os anos 80, a chamada "década perdida" para os latino-americanos. Uma pesquisa divulgada pela Comissão Econômica das Nações Unidas para América Latina e Caribe (CEPAL) demonstrou que num período de 10 anos, o índice de famílias pobres argentinas mais que triplicou: passou de 7% do total da população em 1980, para 25% em 1990. A indigência subiu, no mesmo período, de 2% para 7%. Na Venezuela, a outra campeã da miséria, o ritmo de pauperização da população foi igualmente intenso: a pobreza urbana que englobava 18% da população em 1981, passou para 33% em 1990. No Brasil-- onde o número de pobres e miseráveis é maior que em qualquer outro país latino-americano--, a velocidade, no entanto, com que a pobreza se proliferou foi ligeiramente menor que em nações vizinhas. A população brasileira dentro da faixa de pobreza, que em 1979 era de 30%, chegou a 39% em 1990. No México, pulou de 28% para 34%. Em todo o continente, a crise econômica desencadeada pela recessão e
82018 crescente endividamento externo produziu, nos anos 80, cerca de 60 milhões
82018 de novos pobres, dos quais 53 milhões vivem nas cidades, diz o estudo. O número total de indigentes também é devastador: chegou em 1990 a 95 milhões de pessoas, ou seja, 22% de toda a população latino-americana. Quatro países puderam, apesar da crise continental, reduzir o percentual de pobres: Chile, Uruguai, Colômbia e Costa Rica. No Chile, a faixa pobre foi reduzida de 37% para 34% da população. Relatório também divulgado ontem pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD), diz que a América Latina é a região do mundo que mais atraiu investimentos internacionais em 1992. Os países latino-americanos receberam um total de US$17,70 bilhões em investimentos externos, o que representa 34,4% de todas as aplicações estrangeiras realizadas nos países em desenvolvimento. Entre 1981 e 1985, os países da região receberam apenas uma média de US$5,9 bilhões anuais. O México foi o principal beneficiário destes investimentos, por ter recebido US$5,36 bilhões durante 1992, seguido pela Argentina, que recebeu US$4,17 bilhões e pelo Brasil, que recebeu US$1,45 bilhão no mesmo período (O ESP).