NOVO MERCADO GLOBAL DE TRABALHO

A expansão das atividades das corporações transnacionais-- um poderoso grupo de 37 mil empresas que controlam mais de 200 mil afiliadas estrangeiras e cujas vendas, de US$4,8 trilhões, já ultrapassaram o volume do comércio mundial-- está alterando as relações no mercado de trabalho. As transnacionais, que oferecem emprego direto a 73 milhões de pessoas, são responsáveis por quase 10% da mão-de-obra que opera em atividades não-agrícolas no mundo. Nos países desenvolvidos essa fatia chega a 20%, segundo estudo divulgado ontem pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD). O estudo constata que as transnacionais, que em 1993 registraram investimentos diretos de US$195 bilhões, com aumento de 14% em relação a 1992, estão ampliando seus negócios nos países em desenvolvimento. Também é nos países em desenvolvimento que o número de empregados das transnacionais tem crescido. Nos países desenvolvidos, onde estão as sedes das corporações, o nível de emprego tem mostrado estagnação. Para os governos, diz o estudo, o desafio que se estabelece é preparar sua força de trabalho para operar em um sistema produtivo integrado globalmente, além de implementar regras liberalizantes para a movimentação do capital. Os sindicatos, cuja estrutura internacional é tipicamente fraca, devem começar a contar cada vez menos com os governos e lutar por seus interesses numa relação direta com as transnacionais. A UNCTAD diz que "a porta está aberta para novas formas de cooperação entre as transnacionais e os sindicatos". O estudo constata que os investimentos feitos pelas transnacionais estão crescendo mais rapidamente do que o nível de emprego nessas empresas. Enquanto o estoque de investimentos diretos estrangeiros das transnacionais somava US$1,649 bilhão em 1990, o número de empregados era de 70 milhões. Em 1992 o estoque subiu para US$1,932 bilhão, com crescimento de 17%. O aumento no número de funcionários foi de 4%. Das 50 maiores empresas do mundo 44 estão no Brasil. Mas na hora de realizar novos investimentos elas estão priorizando mercados onde ainda não atuam. E consideram, entre outros pontos, o custo de mão-de-obra e o tratamento tributário especial. Por isso, mais do que atrair novas empresas o desafio do Brasil é o de fazer com que as indústrias aqui instaladas voltem a investir, disse o diretor técnico da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização (Sobeet), Octávio de Barros, ao analisar o estudo da UNCTAD. O volume de recursos investido pelas transnacionais no Brasil em 1993 (US$1,3 bilhão) é muito inferior à média do final dos anos 70 e início da década de 80 (US$5,6 bilhões). Na época, o país ocupava o primeiro lugar na preferência dos investimentos, hoje, ocupa o 9o. lugar (GM) (JB) (FSP).