Cuba anunciou ontem que vai assinar o Tratado de Tlatelolco, proibindo a fabricação de armas nucleares na América Latina e no Caribe. A informação está em carta do presidente Fidel Castro ao presidente Itamar Franco. Cuba era o último país da região a resistir ao tratado firmado no México em 1967. O Brasil assinou há três meses. Itamar recebeu a carta na reitoria da Universidade Federal de Juiz de Fora (MG) das mãos do chanceler de Cuba, Roberto Robaiana. Na ocasião, Itamar voltou a defender o fim do bloqueio econômico a Cuba. "Se o governo dos EUA pode conversar com a Coréia do Norte, por que não se pode estabelecer um diálogo com Cuba?", disse. EUA e Cuba vão discutir a migração ilegal a partir da próxima semana em Nova Iorque, disse Robaina em Brasília (DF). Ele nega que tenha vindo ao Brasil pedir apoio para a negociação. "Para nós, interessa o apoio global. Se toda América Latina defendesse o fim do embargo seria o ideal", afirmou. O presidente Itamar Franco destacou a importância da participação de Cuba no acordo e fez um apelo ao presidente dos EUA, Bill Clinton: "O governo brasileiro entende que o presidente Clinton deveria convidar Cuba para o encontro de Miami, a ser realizado em dezembro, entre os presidentes do continente americano. A presença de Cuba é importante. O Brasil não quer que se discuta Cuba na ausência de Cuba. Quer discutir Cuba com a presença de Cuba, que está dando um grande passo na sua reformulação interna, abrindo suas perspectivas, inclusive para a iniciativa estrangeira em algumas áreas do setor econômico", declarou Itamar. Sete refugiados cubanos chegaram ontem a Salvador (BA) transportados pelo navio Merida, de bandeira mexicana. Estes são os primeiros refugiados cubanos que chegam ao Brasil depois do início da fuga em massa para os EUA. Os sete cubanos (todos homens) foram encaminhados à Polícia Federal e receberam do órgão uma carteira que comprova a situação de refugiados. Com essa carteira eles podem trabalhar e exercer suas profissões
81985 normalmente, disse a delegada Lia Margarida. Ela disse que os cubanos ficarão à disposição do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). Os refugiados foram resgatados pelo navio há quatro dias, a cerca de 144 km da costa mexicana. "Ou a gente aceitava a carona ou morria afogado", disse Oswaldo Alvarez Lopez, um dos refugiados (FSP) (O Globo).