Pelo menos oito das 26 meninas raptadas no Rio de Janeiro e na Baixada Fluminense nos dois últimos anos podem ter sido levadas para o exterior por quadrilhas de traficantes de crianças, para servirem como prostitutas ou terem seus órgãos usados em transplantes. A suspeita é da coordenadora do Centro Brasileiro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (CBDDCA), Cristina Leonardo, que ontem-- durante o lançamento do Movimento de Mães de Crianças Desaparecidas do Rio de Janeiro-- acusou o governo do estado de se omitir diante do problema. Ela anunciou que vai entrar com processo no Ministério Público pedindo a intervenção do procurador-geral de Justiça, Antônio Carlos Biscaia, no caso e responsabilizando o governo por omissão. "Nós apelamos inúmeras vezes ao governo do estado para que pedisse auxílio da Interpol, mas não fomos atendidos", denunciou. Além das oito meninas que continuam desaparecidas, sete foram estupradas e mortas por um maníaco que agia na zona oeste da cidade; duas foram atacadas pelo tarado, mas conseguiram sobreviver e nove escaparam dos raptores (JB).