Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai acabam de realizar um primeiro estudo de viabilidade da Hidrovia Paraguai-Paraná, aprovada por uma comissão intergovernamental dos cinco países em 1990. A hidrovia demandaria a retificação de curvas no Rio Paraguai-- o principal formador do Pantanal-matogrossense-- além de aprofundamento do leito e fechamento de braços e diques para aumentar a velocidade e o volume das águas e diminuir a distância navegável em cerca de 50 quilômetros. Segundo denúncia das entidades não-governamentais Fundo Mundial para a Natureza (WWF), Instituto Centro de Vida (ICV) e Centro Brasileiro de Referência e Apoio Cultural (Cebrac), as alterações colocam em risco os ecossistemas do Pantanal. O Pantanal é um paraíso natural, mas é também um exemplo de
81969 ecossistema em que uma atividade econômica incompatível com preservação
81969 ambiental está fadada ao fracasso e pode causar um caos social, observou Eduardo Martins, diretor-executivo do WWF. As obras da hidrovia tornariam navegável um trecho de 3.303 quilômetros, desde Cáceres (Mato Grosso), até Nueva Palmira (Uruguai). O financiamento, de cerca de US$1,2 bilhão, seria o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). "Os estudos de viabilidade incluem uma avaliação de impacto ambiental das mais completas, já que os países financiadores têm uma grande preocupação com o ambiente", garantiu o ministro Marcelo Jardim, do Itamaraty, representante do Brasil na Comissão Intergovernamental da Hidrovia. O governo brasileiro gastaria diretamente US$580 milhões na hidrovia, o que, conforme o WWF, não inclui os custos sócio-ambientais do projeto. De acordo com a entidade ambientalista, a hidrovia acarretará um aumento de vazão de 35% do Rio Paraguai. Com as águas mais rápidas no leito principal, a inundação natural do Pantanal diminuiria em cerca de 26 centímetros de profundidade média. Os ecossistemas dependentes dessa inundação perderiam em torno de 17 bilhões de metros cúbicos de água por ano (O ESP).