O governo brasileiro não pune e, na maioria das vezes, sequer processa os responsáveis pelas fazendas, carvoarias e siderúrgicas nas quais é constatado trabalho escravo. A afirmação é do advogado norte-americano James Cavallaro, da Americas Watch, entidade sediada nos EUA que denuncia violações de direitos humanos nos países do continente. Cavallaro veio ao Brasil participar do seminário "Trabalho Escravo Nunca Mais", promovido em Brasília (DF), na semana passada, pelo Fórum Nacional Permanente Contra Violência no Campo. Ele acompanha há dois anos denúncias de trabalho escravo no Brasil-- 111 casos de 1987-93, envolvendo 45.461 trabalhadores rurais, de acordo com a CPT (Comissão Pastoral da Terra). Dentro de dois meses, Cavallaro vai montar um escritório da Americas Watch no Brasil, onde também funcionará o Cejil (Centro Pela Justiça e o Direito Internacional), especializado em processos contra governos em casos de violação dos direitos humanos. Sete casos no Brasil já foram denunciados pelas entidades à Comissão Interamericana dos Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos) (FSP).