O presidente Itamar Franco acaba de enviar uma carta ao presidente Bill Clinton pedindo sua ajuda à EMBRAER na concorrência que os EUA farão em 1995 para comprar 800 novos aviões de treinamento militar. O negócio é uma das compensações pleiteadas pelo governo por ter escolhido o consórcio liderado pela empresa norte-americana Raytheon para implantação do sistema de radares da Amazônia, o Sivam. O pretexto da carta é o agradecimento pela visita do secretário de Comércio Ron Brown, que veio a Brasília, em julho, batalhar pela preferência à tecnologia dos EUA no projeto Sivam. A interferência de Brown foi decisiva para a vitória da Raytheon, que enfrentava o consórcio francês Thomson-Alcatel. Agora é a vez de Itamar Franco pedir por uma empresa brasileira. Com proposta de venda de 72 aviões Tucano, a EMBRAER participa da concorrência em parceria com a fábrica de jatos dos EUA Northorp. A carta de Itamar a Clinton reafirma o "toma-lá-dá-cá" entre a Casa Branca e o Palácio do Planalto, iniciado pelo presidente norte-americano (JB).