O candidato do PSDB à Presidência, Fernando Henrique Cardoso, afirmou ontem, em Brasília (DF), que apóia a edição de medidas impopulares para garantir o sucesso do Plano Real, caso isto seja necessário. Estabilização não se faz com eleição, disse. FHC, no entanto, afirmou que não acredita que estas medidas sejam necessárias agora, já que o plano "está funcionando muito bem". Segundo ele, só foi constatado um aumento de consumo nas "classes populares", o que ele considera "bom". Agora, se a classe média começar a gastar mais, o governo deve tomar
81939 medidas tranquilamente, afirmou. Entre as ações estudadas pelo governo federal está uma nova alta nos juros, que dificultaria o acesso ao crediário. Em comício em Florianópolis (SC) no último dia 26, o candidato fez uma defesa emocionada do governo Itamar Franco. "Tenho que agradecer ao presidente Itamar Franco, que mesmo quando muita gente não acreditava que ele fosse bancar até o fim a mudança na economia, o presidente Itamar jamais falhou com seu apoio constante a mim e à política que nós estávamos fazendo", disse. O comício de ontem foi realizado na cidade-satélite de Samambaia e reuniu cerca de 25 mil pessoas, segundo cálculos da Defesa Civil. O governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz (PP), e o candidato ao governo, Valmir Campelo (PTB), responsáveis pelo evento, tinham sido advertidos pelo corregedor eleitoral do DF, José Jeronymo Bezerra de Souza, que determinara a suspensão do apoio do governo de Roriz. Foi a maior estrutura montada até agora para um comício de Fernando Henrique. Eram quatro caminhões de som, três palanques e centenas de carros para transporte de populares. Joaquim Roriz, escoltado por 107 candidatos a deputado distrital, federal e a senador da coligação de Campelo, negou o uso da máquina administrativa. "Meu governo não usa a máquina. Nossa máquina é a máquina do trabalho e da dignidade", disse, logo depois de Campelo prometer que continuaria sua política de distribuição de lotes e viabilização de novos assentamentos populares (FSP) (O Globo).