A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) condenou ontem a formação de alianças e composições políticas para, exclusivamente, vencer as eleições, deixando de lado o "bem comum". O presidente da CNBB, dom Luciano Mendes de Almeida, criticou o que chamou de "alianças estranhas" e pregou o respeito à ética na política. "Os escolhidos para o Executivo cumprirão este serviço se estiverem mais atentos às exigências do bem comum do que ao compromisso com alianças e composições", reforça nota assinada por 27 bispos que integram o Conselho Permanente da CNBB. Dom Luciano garantiu que o recado não foi endereçado ao candidato da coligação PSDB-PFL-PTB, Fernando Henrique Cardoso, que vem recebendo inúmeras adesões desde que assumiu a liderança nas pesquisas eleitorais. "Existem alianças mais estranhas nos estados do que em nível nacional", explicou. Dom Luciano ressaltou que são condenáveis, apenas, as coligações "sem conteúdo". A nota do Conselho Permanente da CNBB diz que a sociedade espera que os eleitos para o Legislativo rejeitem comportamentos "clientelistas, fisiológicos e corporativos". A entidade cobrou, ainda, a apresentação de projetos concretos que atendam às necessidades básicas da população, como emprego, saúde, terra, moradia, educação, transporte e segurança (JC).