A SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos) está executando uma ampla operação de espionagem em sindicatos, baseada na suspeita de que grupos radicais da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e do PT (Partido dos Trabalhadores) tentam radicalizar greves em mudar o cenário eleitoral, desfavorável a Luiz Inácio Lula da Silva. Em Brasília e vários estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia foram designados agentes para acompanhar debates internos dos sindicatos dos bancários e petroleiros, ligados à CUT. A ordem é descobrir até que ponto os "radicais" pretendem provocar tumultos e radicalizar as reivindicações salariais previstas para o próximo mês. Relatórios parciais já foram enviados ao presidente Itamar Franco. Essas "radicalizações" afetariam, na visão da SAE, áreas estratégicas como o petróleo. A avaliação é que os "radicais" estariam dispostos a gestos de desespero, provocados pela queda contínua de Lula nas pesquisas (FSP).