A maioria absoluta dos paulistanos-- 62%-- que a modificação da atual legislação sobre o aborto, em vigência no país desde 1940. Ao Datafolha, 43% afirmaram que ele deveria ser autorizado em mais situações, além das previstas no Código Penal (estupro ou quando há risco de vida para a mãe). Outros 19% disseram ser favoráveis à legalização em qualquer circunstância. Para 37% dos paulistanos, no entanto, a atual lei não deveria ser alterada. Essa opinião é apontada principalmente entre pessoas com instrução escolar até o 1o. grau (44%) e pelos que têm renda familiar de até cinco salários-mínimos (42%). O número dos que defendem que o aborto deixe de ser crime em qualquer caso é maior entre pessoas com nível superior: 36%. Para os que têm até o 1o. grau, esse percentual cai a 17%. Entre pessoas com 2o. grau, o índice é ainda menor (13%). Apesar disso, 51% destes querem a permissão para o aborto em mais casos, além dos previstos em lei. Na amostra por sexo, 21% das mulheres querem a liberação total do aborto, contra 17% dos homens. Houve empate técnico entre homens e mulheres que querem a manutenção da lei: 37% e 36%, respectivamente. As últimas estatísticas do Ministério da Saúde-- divulgadas em julho último-- apontaram que, só no ano passado, foram feitos cerca de 300 mil abortos clandestinos no Brasil (FSP).