Ao fiscalizar os estoques de alimentos em regime de EGF (Empréstimo do Governo Federal), o Banco do Brasil constatou a falta de 826,6 mil toneladas. Realizada a pedido do Tribunal de Contas da União (TCU), a fiscalização descobriu que os alimentos desapareceram devido a ação criminosa de armazenadores. Segundo relatório do TCU, os estoques teriam sido vendidos pelos armazenadores, sem autorização do BB, e os recursos apropriados indevidamente. Daí resulta que o banco acabou financiando a estocagem de produtos que não mais existiam. Somente a quantidade desviada de arroz, cerca de 548 mil toneladas, abasteceria toda a população brasileira por um mês. Os alimentos em falta correspondem a 145 milhões de URVs (R$398,7 bilhões). O desvio é equivalente a quatro vezes a quantidade de alimentos distribuída pelo Programa de Distribuição Emergencial de Alimentos (PRODEA). Os técnicos do TCU calculam que os recursos equivalentes a esses produtos dariam para financiar 683 mil pequenos produtores rurais. O tribunal estima também que essa falta de produtos implica em prejuízos diretos de 12,3 milhões de URV (R$33,8 bilhões) "para a sociedade brasileira". Desse montante, pelo menos R$23,1 bilhões referem-se às despesas de armazenagem pagas durante seis meses por produtos não existentes (JB).