O ex-presidente Fernando Collor de Mello e seu ex-tesoureiro Paulo César Farias foram denunciados ontem ao Ministério Público, em Belém (PA), por prática de escravidão. Os autores da denúncia são o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santana do Araguaia, Antônio Ferreira, e o deputado estadual Newton Miranda (PC do B). Eles apontaram Collor e PC como donos da fazenda Estrela de Maceió, que não pagou aos 130 trabalhadores contratados para a queimada de uma floresta na propriedade, a 210 km de Santana do Araguaia. Os 130 homens, que trabalharam durante 60 dias num área de dois mil hectares, estão alojados na sede do sindicato. Eles foram recrutados nos municípios de Chapadinha, Santa Inês, Santa Helena, Bacabal e Pinheiro, interior do Maranhão. Segundo o sindicalista Antônio Ferreira, há muitos meninos entre os trabalhadores. Ele disse que o padre da cidade, Sebastião Filho, tem informações seguras de que a fazenda pertence a Collor e PC. O vereador Antônio Carvelli (PTB) disse que o prefeito Isaías Souza Neto usou um avião da família Collor para obter na delegacia do IBAMA, em Belém, a autorização para a queimada. Os trabalhadores contaram que, concluída a queimada, tiveram que caminhar os 210 km que separam a fazenda da cidade, na tentativa de receber o pagamento. O dinheiro estaria com um gato (contratador de mão-de-obra) chamado Francisco das Chagas, que não foi encontrado (JB).