MANIFESTAÇÃO LEMBRA UM ANO SEM CARELLI

Uma manifestação contra a impunidade, que reuniu cerca de 200 funcionários da FIOCRUZ, o sociólogo Herbert de Souza (Betinho) e o cantor Ney Matogrosso, marcou ontem o aniversário de um ano do desaparecimento do zelador da FIOCRUZ, Jorge Antonio Carelli. Ele foi sequ"estrado no dia 10 de agosto do ano passado durante uma blitz dos policiais da Divisão Anti-Sequ"estro (DAS), na favela da Varginha, em Manguinos, zona norte do Rio de Janeiro (capital). Emocionados, o pai e as duas irmãs de Carelli choraram durante toda a manifestação, que incluiu mostra de fotografias retratando a violência policial e discursos contra a impunidade e a violência no estado. A cerimônia foi encerrada por Ney Matogrosso, que cantou a música "Rosa de Hiroshima". De acordo com a assessoria de comunicação da FIOCRUZ, apesar das evidências e testemunhos que implicam 23 policiais da DAS com o crime, o juiz Heraldo Saturnino de Oliveira, da 6a. Vara Criminal, absolveu os acusados no dia 19 de maio passado, alegando falta de provas. A família de Carelli, porém, prefere acreditar que ele ainda esteja vivo. Betinho comparou o desaparecimento de Carelli aos casos ocorridos no regime militar. Ele disse que a violência no Rio é fruto dos governos militares, que deixaram como legado a corrupção, a tortura e as impunidades nas Polícias Civil e Militar (JC) (O ESP).