Pesquisadores franceses descobriram que existe cerca de mil pessoas em todo o mundo contaminadas com o HIV, algumas há 15 anos, sem nunca terem manifestado sintomas das doenças que normalmente acompanham a síndrome. Um verdadeiro enigma para os especialistas, que não compreendem por que essas pessoas foram "poupadas". Esta característica da doença foi discutida pela primeira vez no ano passado, na 9a. Conferência Internacional de AIDS, em Berlim. Em um ano, porém, o crescimento do número de pessoas infectadas pelo vírus, mas aparentemente imunes às doenças decorrentes da AIDS, começou a surpreender os médicos. Diversos trabalhos foram publicados sobre os "sobreviventes de longo prazo" ou "assintomáticos de longa duração", como são chamados os que resistem ao vírus da AIDS. O professor Willy Rozembaum, que criou o primeiro centro hospitalar de Paris dedicado ao tratamento da doença, afirma que, de cada 100 pessoas contaminadas, 20 ficarão doentes. Mas admitiu que a explicação para esta sobrevivência "ainda escapa" aos médicos. Para o professor Marc Girard, do Instituto Pasteur, há três tipos de casos de infecção pelo HIV. Primeiro, o das pessoas cujo sistema imunológico é tão deficiente que morrem três meses depois da infecção. O segundo é o dos que têm sistema imunológico normal, mas incapaz de ganhar a luta contra o vírus. Chegam a resistir entre quatro e 12 anos, mas acabam sucumbindo. Por fim, sabe-se que determinados organismos controlam perfeitamente a infecção. Nestes casos, o HIV não consegue se manifestar nem destruir o organismo. Uma das mais promissoras frentes de pesquisas sobre a AIDS envolve a descoberta de que um glóbulo branco do sangue, o CD8, pode colocar o HIV em cheque. Em algumas pessoas, a célula impede a replicação viral (reprodução), enquanto o HIV ainda está escondido. Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em São Francisco (EUA), estão perseguindo um modo de desarmar o vírus através do CD8. Os cientistas sugerem que pessoas infectadas pelo HIV há muitos anos, mas que ainda não desenvolveram a AIDS podem ter células CD8 mais fortes ou com maior capacidade de recuperação. Acredita-se que a perda da capacidade de conter o vírus contribui para o desenvolvimento total da doença (JB).