Grupos de "rappers" de toda a cidade do Rio de Janeiro (RJ) estão começando a organizar uma espécie de universidade aberta do rap, no interior da Associação Atitude Consciente (Atcon), entidade formada por cantores e admiradores da "street music". Na pauta, palestras com historiadores, antropólogos, sociólogos e representantes do movimento negro, que vão debater o preconceito racial, a violência, a pobreza e outros temas que fazem parte da vida e dos versos da maioria dos MCs. A vice-coordenadora da Atcon, Edwiges Tomaz, do trio As Damas do Rap, acredita que os encontros darão mais embasamento teórico aos compositores de rap. "Muitos rappers têm vivência, mas apresentam certa dificuldade de transformar em versos sua realidade social", analisa. Mas rap não é só poesia. Para a Atcon, o termo é uma sigla indicando ritmo, atitude e poder. O objetivo da associação é despertar os rappers para os direitos do negro como cidadão. A associação foi criada em 1992, mas só agora está sendo registrada. Decisão tomada depois que a entidade se desvinculou da ONG Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP). Mesmo ainda sem sede, os integrantes da Atcon programaram uma série de festivais de rap pela cidade. O primeiro do ano aconteceu no último dia 31 de julho, na Cidade de Deus (Segundo Caderno-O Globo).