Durante quatro horas, a partir da 9h30, mais de mil camelôs, divididos em grupos, ocuparam o centro do Rio de Janeiro (capital), apedrejando, saqueando e fechando lojas, num tumulto que espalhou o pânico em 20 ruas. O arrastão, que que chegou a parar o trânsito na Avenida Rio Branco, com os manifestantes sentados no leito da rua, começou quando fiscais da prefeitura impediram ambulantes de armar barracas nas ruas Uruguaiana e Sete de Setembro. Como também não puderam levar suas bancas para os terrenos do Metrô, ainda não demarcados, onde serão assentados, os camelôs, então cerca de 300, reunidos na esquina de Uruguaiana com Presidente Vargas, decidiram obrigar o comércio a fechar as portas. O arrastão evoluiu para outras ruas, crescendo em número e violência, num quebra-quebra que espatifou vidraças, invadiu lojas, destruiu máquinas registradoras, saqueou prateleiras e atemorizou pessoas a ponto de provocar desmaios. Comerciantes estimaram em US$2,5 milhões os prejuízos causados pela confusão. Do alto dos prédios, eram arremessados sacos de água, revidados a pedradas. A Polícia Militar e a Guarda Municipal tiveram postura de espectadoras durante grande parte da confusão. Quando resolveram agir, os policiais foram atacados a paus, pedras e cadeiras. Três PMs ficaram feridos. Seis pessoas foram detidas, entre elas Bárbara Carvalho, apontada como uma dos líderes do movimento. Apesar do conflito, a prefeitura aceitou pedido da Associação de Ambulantes do Centro e decidiu permitir que os camelôs continuem em seus pontos até amanhã. Dia 11, eles serão transferidos para os terrenos do Metro na Rua Uruguaiana, que se transformarão em "camelódromos", com locais demarcados para cada barraca (JB).