PROGRAMA DE LULA TEM PROPOSTAS GENÉRICAS

O Partido dos Trabalhadores (PT) lançou ontem o programa de governo do candidato à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Intitulado "Uma revolução democrática no Brasil", o documento possui 162 páginas e trata dos mais diversos temas, como liberdade religiosa, reforma administrativa, a educação, a política energética e a reforma do Estado, entre outros. Por ser extremamente abrangente, o documento não detalha como serão efetuadas as ações de um eventual governo de Lula. As prioridades do programa de governo estão concentradas na área social, como saúde, educação e assistência social. No capítulo dedicado ao combate da inflação, a ênfase é dada às políticas de rendas e ao controle da "ação predatória dos oligopólios". O Plano Real só é tratado em uma página do documento. Lula disse que o "plano econômico não mudou em nada o nosso programa de governo". Mesmo desdenhando o real, no programa de governo de Lula há a nítida preocupação de classificar o plano de estabilização como "manobra eleitoreira". "A eventual redução conseguida com as medidas anunciadas não poderia se manter por muito tempo: o plano tem antes de mais nada um caráter de manobra eleitoral", diz o documento. Outro ponto importante abordado pelo programa de governo do PT é a questão da privatização. O programa afirma que o atual Plano Nacional de Desestatização será interrompido. Propõe-se, ainda, após uma avaliação das privatizações já realizadas, "a adoção das medidas judiciais cabíveis para preservar o interesse público, incluindo a anulação dos processos ilícitos de privatização". O candidato à vice-presidência, Aloizio Mercadante, observou também que "exceto nos setores de telecomunicações e petrolífero, em todos os outros proporemos parcerias entre o setor público e o privado" (GM).