O tênue equilíbrio de forças existente na direção da Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP/FIESP) tende a se romper. De um lado está o grupo denominado Novo CIESP, composto pelos empresários reformistas representativos dos setores elétrico metal e mecânico. No outro extremo, está a ala conservadora que, desde a posse do atual presidente da entidade, Carlos Eduardo Moreira Ferreira, em 1992, não pára de se preocupar com as mudanças que o grupo oposto pretende impor. Passados quase dois anos de convivência pacífica, as divergências voltam a se acirrar. O motivo da recente desestabilização são frequ"entes reuniões que o grupo dos "modernos" têm feito na sede da FIESP e cujos temas em discussão são divulgados de forma velada. Os integrantes do Novo CIESP, mantêm posição de independência em relação ao conjunto da diretoria da entidade e não escondem que enfrentam o que chamam de uma certa crise existencial. Eles se perguntam se valeu a pena dar apoio à candidatura de Moreira Ferreira, feito mediante acordo que envolvia a promessa de mudanças estruturais na entidade e principalmente no sistema de votação. Esses empresários, a maior remanescente do Pensamento Nacional das Bases Empresariais, cujo principal coordenador é Emerson Capaz, opositor de Moreira Ferreira nas eleições de 1992, querem tornar a entidade mais representativa. Isto significa o fortalecimento do CIESP, cujo quadro associativo é formado por empresas e não por sindicatos. Moreira Ferreira assinou documento se comprometendo fazer as mudanças, que está sendo cumprido à risca. O descontentamento surge da constatação de que o presidente da FIESP, que é advogado, se limita a cumprir exclusivamente o que foi exigido. "Para nós, o documento representa a base da atuação da diretoria, enquanto que para Moreira Ferreira, isso representa o teto", definiu um integrante do Novo CIESP (O ESP).