A 10a. Conferência Internacional sobre AIDS começou ontem em Yokahama, Japão, com uma nota pessimista. A última análise da epidemia feita pela Organização Mundial de Saúde (OMS) mostra que a corrida para vencer o vírus causador da doença, o HIV, antes que ele infecte uma parte importante da população do planeta, já pode estar perdida. Entre 30 milhões e 40 milhões de pessoas estarão infectadas pelo vírus no ano 2000. O número de casos estimados de AIDS subiu 60% no último ano, atingindo quatro milhões, e o número de pessoas infectadas com o HIV está em 17 milhões. Mais de três milhões desses casos são novas infecções, dos últimos 12 meses, a um ritmo de cerca de 10 mil por dia. A África ao sul do Saara continua a ser o principal alvo da doença, mas no Sudeste Asiático, onde a infecção não era registrada até 1990-91, cerca de 100 mil pessoas têm AIDS. O fim da epidemia está muito longe, afirma a OMS. Dez anos depois de o HIV ter sido primeiro identificado pelo francês Luc Montagnier no Instituto Pasteur de Paris, o ambiente é de pessimismo. Milhões foram gastos em pesquisas apenas para revelar a complexidade do vírus e de seus efeitos no sistema de defesa do organismo. A Coalização de Política Global de AIDS, localizada na Universidade de Harvard, nos EUA, acredita que uma complacência se enraizou entre os políticos e o público dos países desenvolvidos quanto aos riscos do HIV. Já os países do Terceiro Mundo não têm nem os recursos nem o conhecimento para lidar com o problema. Para a coalização, a estratégia atual está obsoleta (FSP).