LOBBY EMPRESARIAL TENTA CRIAR BANCADA

Lobbies de vários setores empresariais estão organizados para tentar influenciar a formação do próximo Congresso Nacional. Depois do escândalo PC Farias, a questão é tratada sempre com muito cuidado. Admite-se a tentativa de formar uma bancada, mas ninguém quer falar em financiamento. A bancada da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIES) no próximo Congresso será formada por políticos da coligação PSDB-PFL-PTB. A FIESP, oficialmente ao menos, não apóia direta ou financeiramente a campanha de candidatos às eleições gerais deste ano. O perfil do "deputado da FIESP", no entanto, é, sem dúvida, tucano. Afirmando que a FIESP não tem candidatos próprios, seu presidente, Carlos Eduardo Moreira Ferreira, diz que os empresários escolherão entre aqueles que defendem a economia de mercado e a livre iniciativa. "Gostaríamos de ver eleita uma maioria de parlamentares comprometidos com o avanço do país, através da revisão constitucional, das reformas tributária, partidária e do Estado, da instituição do voto distrital e, sobretudo, comprometidos com o trabalho e não com a ausência no plenário", disse. Moreira Ferreira diz que a FIESP continuará a fazer lobby para a realização da revisão constitucional no início da próxima legislatura. Segundo ele, a pressão mais forte virá do movimento conhecido por "Ação Empresarial Integrada", coordenado pelo empresário Jorge Gerdau Johannpeter, do grupo Gerdau. "Vamos, as 80 entidades empresariais que estão no movimento, nos engajar em um corpo a corpo com os congressistas para obter uma maioria comprometida com o Brasil do fim do século", diz. A indústria petroquímica quer formar uma bancada de 10 a 12 deputados federais que sejam formadores de opinião pública, conheçam direito tributário e a legislação sobre o meio ambiente. A familiaridade com a legislação sobre o meio ambiente é considerada importante para o setor porque a petroquímica é um dos segmentos mais vigiados pelos ambientalistas em todo o mundo. As indústrias esperam formar representantes no Congresso que as defendam, também, nos momentos em que se sentirem prejudicadas pelo "dumping" (concorrência desleal de preços) de fornecedores estrangeiros no mercado interno. Segundo uma das principais lideranças do setor, a base de apoio da indústria petroquímica no Congresso, até agora, era formada pelos deputados da Bahia, aliados de Antônio Carlos Magalhães (PFL). O setor quer diversificar esta base e conseguir aliados nos Estados de São Paulo e do Rio Grande do Sul, onde também existem pólos petroquímicos (FSP).