ENTIDADE DENUNCIA EXTERMÍNIOS EM PERNAMBUCO

Um total de 2.015 pessoas foram mortas entre janeiro de 1984 e dezembro de 1993 em Pernambuco, em crimes atribuídos a grupos de extermínio. A informação é do Centro Luiz Freire, maior organização não-governamental do estado ligada aos direitos humanos. De acordo com a Secretaria Estadual de Segurança, ocorrem em média 2.920 assassinatos por ano em Pernambuco. No período examinado pelo centro, a média é de 201,5 mortes por ano, que teriam sido cometidas por exterminadores. Só no período entre janeiro de 1992 e maio de 1994, a entidade catalogou 309 homicídios atribuídos aos esquadrões da morte. Segundo o coordenador do gabinete de assessoria jurídica do Centro, Jaime Benvenuto, as maiores vítimas dos ataques são homens com idades que variam entre 22 e 25 anos. As mulheres, afirmou, representam 4% do total dos mortos. Suas mortes estariam associadas ao envolvimento afetivo com os alvos dos grupos ou então à "queima de arquivo". A violência extrema contra as vítimas é a principal característica da ação dos exterminadores, disse Benvenuto. Os assassinatos, na maioria dos casos, são precedidos de sequ"estro e rituais de torturas, afirmou. Os corpos são encontrados quase sempre em locais de difícil acesso, na periferia das cidades. O revólver é a arma mais utilizada, seguida da espingarda calibre 12. A parte do corpo mais visada é a cabeça. A pesquisa apontou 147 pessoas que estão sendo processadas, acusadas de participação em ações coletivas de extermínio. Entre os acusados estão nove policiais militares e quatro civis. Do total de processados, 71,4% têm entre 18 e 30 anos de idade. Ainda segundo o levantamento, 59 suspeitos não têm antecedentes criminais e 19 respondem processo em liberdade (FSP).