SALÁRIO VIRA A ÂNCORA POLÍTICA DO REAL

Uma guerra de números começa a ser travada entre dirigentes sindicais, empresários e governo em torno da questão salarial. Os sindicalistas estão reivindicando reposições salariais de até 139% este mês. O pano de fundo é a sucessão presidencial, o embate entre os dois candidatos que lideram as pesquisas de intenção de voto. "Moeda forte. Salário fraco", diz o PT de Luiz Inácio Lula da Silva. Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, contrapõe afirmando que não há como ter salário forte sem estabilização. O batismo de fogo do Plano Real vem aí com a data-base, em setembro, de duas categorias profissionais importantes (quase 750 mil trabalhadores): bancários e petroleiros, ambos ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT). Só os bancários deverão investir US$400 mil numa campanha institucional contra as perdas provocadas pelo plano sob o slogan "Real: só acredito tendo - salário, emprego e cidadania". A campanha envolve outdoors e anúncios nos meios de comunicação. Se houver greve, a cifra aumenta. Sabemos que os banqueiros são simpáticos à candidatura de Fernando
81673 Henrique, enquanto a maioria dos dirigentes sindicais é simpática aos
81673 partidos de esquerda ou ao PT. Isso vai ser igual a cheiro de gasolina no
81673 ar. Se riscar o fósforo, explode, afirma Ricardo Berzoini, que preside o Sindicato dos Bancários de São Paulo, com 95 mil sindicalizados na capital e em Osasco. Em todo o país, são 670 mil bancários que têm data-base em 1o. de setembro e estão reivindicando até 139% de reposição salarial e o reajuste mensal. O governo finca pé na posição contra reposição e afirma que houve ganhos salariais, especialmente para as categorias de baixa renda. As armas nessa guerra são os diferentes índices. O DIEESE, que assessora os sindicatos, revela uma perda de 9,6% entre março e junho. A CNI, confederação dos industriais, contabiliza ganho salarial de 14,9% entre fevereiro e maio (JB).