AMÉRICA LATINA DEVE PRIORIZAR BLOCOS MENORES

A formação da Área de Livre Comércio Sul-Americana (Alcsa) é motivo de divergência, mesmo no Brasil, que propôs a criação e ampliação da área de livre comércio além das fronteiras do MERCOSUL. Especialistas discordam da necessidade de priorizar a Alcsa frente a outros tratados, como o NAFTA, ou mesmo diante da perspectiva de acordos do Mercado Comum com países isoladamente, caso do Chile. O economista do Instituto de Economia Industrial da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) João Bosco Machado destaca que o Brasil será o principal beneficiado com o acordo que estipula a margem de preferência entre os países da América do Sul de 50% a 60% no primeiro ano, com aumentos gradativos, até 100%, em 10 anos. João Bosco defende a formação da Alcsa a curto prazo, logo após a implantação da união aduaneira, em 1995. Atualmente, a América Latina absorve 80% das exportações de bens manufaturados brasileiros. Por outro lado, a ameaça do NAFTA no continente americano tornou-se cada vez mais presente. Apenas nos últimos cinco anos, os EUA aumentaram em 100% as exportações para a América Latina. A formação do Pacto Andino, com acordos de comércio entre México, Colômbia e Venezuela, aumenta mais ainda a concorrência entre os países latino-americanos. Com tantos dados apontado para a necessidade de uma integração latino-americana, Bosco lembra que a proposta do acordo é de uma lista de exceção mínima, de cerca de 20% da pauta de comércio, o que facilita as negociações. "Não existe mais a hegemonia brasileira na América Latina e a tendência é de que seja cada vez menor a penetração dos produtos brasileiros no mercado latino-americano, com o fortalecimento do México e com os investimentos dos EUA naquele país, disse o economista. Bosco acredita que a prioridade da implantação do MERCOSUL é indiscutível e, além de defender a formação da Alcsa a médio prazo, acredita que o bloco do Mercado Comum deve negociar com o NAFTA os moldes 4 + 1 a um prazo de, em média, 10 anos. O economista ressalta que a projeção dos EUA sobre a América Latina tende a se expandir, pois reflete um interesse histórico daquele país no continente, ao mesmo tempo em que o NAFTA representa um importante instrumento político de impacto na região (JC).