O doleiro Najun Turner, o mesmo que esteve envolvido na "Operação Uruguai", admitiu que é o dono do cheque do Banco Garavello-- em processo de liquidação pelo Banco Central-- depositado na conta do Comitê Eleitoral do PT, no Banespa em São Paulo no dia 25 de novembro de 1992. Najun disse que não lembra o nome da pessoa com quem negociou, mas acha que o valor-- Cr$69,7 milhões, o equivalente na época a cerca de US$7 mil-- foi depositado por ele mesmo ou entregue a um terceiro que se encarregou do depósito. Na época, o Comitê Eleitoral do PT cuidava da campanha do senador Eduardo Suplicy à prefeitura de São Paulo. Sílvio Pereira, que era tesoureiro da campanha, garantiu ontem que o PT não teve contato com nenhum doleiro, muito menos com Turner. "Ele que venha a público dizer com quem operou. Vindo dele, que tem uma ficha corrida suspeita, é preciso investigar", disse Sílvio, que hoje integra a direção estadual do PT. Parece que querem derrubar de qualquer jeito o pobre do Lula. Se negociei
81666 com alguém do mercado financeiro que é caixa dois do PT, não sei. Nunca
81666 perguntei às pessoas do mercado se elas são do PT, do PFL ou do PMDB, reagiu, com ironia, o doleiro. Najun explicou que não tem condições de lembrar quem era a pessoa com quem negociou porque na época movimentava diariamente cerca de US$1,5 milhão. Também disse que não tem condições de recordar que tipo de operação resultou no depósito, mas assegura que não foi conversão de dinheiro do exterior. Ele sustentou, no entanto, que o cheque saiu da conta no. 1886/7, do Banco Garavello e foi compensado na conta do Comitê Eleitoral do PT, no Banespa. Najun garantiu que nunca negociou com ninguém ligado ao partido e disse que as únicas pessoas de quem lembra são o candidato a vice Aloizio Mercadante e o senador José Paulo Bisol: "Eles queriam me afogar quando prestei depoimento na Polícia Federal no processo contra o ex-presidente Fernando Collor". Najun Turner, que ontem teve de se explicar à Receita Federal sobre a venda de 2.300 kg de ouro (no valor de US$28 milhões) em 1989, disse que estava preocupado com a repercussão do caso e sustentou que não tem intenção de prejudicar a campanha de Lula. Turner ficou conhecido em 1992, quando deu uma declaração lavrada em cartório, sustentando que havia aplicado no mercado financeiro parte dos US$5 milhões que Fernando Collor teria obtido de empréstimo no Uruguai. O objetivo era mostrar que o dinheiro não saía do "esquema PC Farias" (JB).