MERCOSUL SUPERARÁ US$10 BILHÕES ESTE ANO

Ao assinar ontem, em Buenos Aires, o acordo que cria a Tarifa Externa Comum (TEC) entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, o presidente Itamar Franco estimou que o MERCOSUL proporcionará, ainda este ano, uma corrente de comércio superior a US$10 bilhões (foi de mais de US$9 bilhões em 1993) e que a tendência é de crescimento gradual nos próximos anos. O acordo, assinado também pelos presidentes Carlos Menem, da Argentina, Juan Carlos Wasmosy, do Paraguai, e Luis Alberto Lacalle, do Uruguai, entrará em vigor a 1o. de janeiro de 1995, estabelecendo a união aduaneira, passo imediatamente anterior ao efetivo mercado comum. O presidente do Chile, Eduardo Frei, e o vice-presidente da Bolívia, Victor Cardenas, assinaram o acordo como observadores. A TEC, que estabelece um nível comum de proteção para importações de países de fora do bloco, vai variar de zero a 20% para a maioria dos produtos. Para bens de capital será de 14%, e para informática ficará em 16% até 2001 e 2006, respectivamente. Em entrevista conjunta com os ministros das Relações Exteriores da Argentina, Paraguai e Uruguai, o chanceler brasileiro Celso Amorim anunciou que o próximo passo do MERCOSUL é o início de entendimentos com a União Européia, para, inicialmente, formalizar um memorando de entendimento que viabilize, em futuro próximo, a integração entre os dois blocos econômicos, e não um mero acordo de cooperação técnica. Há interesse de aprofundar o vínculo, disse Amorim, que julga a integração de Chile e Bolívia ao MERCOSUL muito prematura, embora possa ser estabelecida com os dois países uma zona de livre comércio. O chanceler brasileiro explicou que as tarifas externas diferenciadas que os chilenos têm em relação ao MERCOSUL e o fato de a Bolívia pertencer ao Pacto Andino, impedem, no momento, a pretendida integração. As presenças de Frei e Cardenas em Buenos Aires, entretanto, têm especial significado para o Brasil, devido às propostas do presidente Itamar Franco para a criação de uma área de livre comércio na América do Sul (JC) (JB).