PESQUISA DESCOBRE EXPLORAÇÃO DE MENORES CARENTES NA BAHIA

Uma pesquisa realizada por professores da Universidade Federal da Bahia (UFBA), com apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), revelou que há exploração de mão-de-obra dos menores carentes por empresas de Salvador, através de convênios assinados com instituições do governo do estado, como a Fundação da Criança e do Adolescente e o Centro de Liberdade Assistida, do Juizado de Menores. Além de denunciar a prática de clientelismo e nepotismo desses convênios, os pesquisadores afirmam que os jovens são submetidos a tarefas monótonas e de ganho temporário, em "nada contribuindo para a ascensão no mercado de trabalho". A idéia da pesquisa é da Delegacia Regional do Trabalho (DRT) da Bahia, criticada por várias entidades baianas porque passou a fiscalizar empresas que empregam menores, e autuá-las em casos de irregularidades. Isto provocou uma enorme polêmica envolvendo a DRT, as instituições governamentais promotoras do convênio e representantes de entidades civis. Segundo a professora Inaiá Carvalho, responsável pela pesquisa, foram constatados casos de jovens trabalhando mais de quatro horas por dia, acumulando dois anos sem férias. Algumas empresas utilizam os convênios para reduzir custos salariais, demitindo adultos e contratando adolescentes (JB).