PRN EXPULSA QUEIROZ E FICA SEM CANDIDATO

O PRN não tem mais candidato para concorrer à Presidência da República. O partido expulsou ontem Walter Queiroz. A decisão foi tomada pela Comissão Executiva Nacional do PRN, que comunicou a expulsão ontem mesmo ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No ofício enviado ao TSE, o partido pede também que o tribunal suspenda a participação de Queiroz no horário gratuito eleitoral do rádio e TV. Segundo a Executiva Nacional, o presidenciável do PRN teria ferido princípios programáticos do partido, conforme estabelece o Artigo 69 do estatuto, por ter esquecido bens em sua declaração. Pelo artigo 15 da Lei Eleitoral (8.713/93), os partidos podem cancelar o registro de seus candidatos expulsos até a data da eleição. A lei pede apenas que, no processo de expulsão, o candidato tenha "assegurada ampla defesa e sejam observadas as normas estatutárias". Com a clara intenção de desafiar a lei eleitoral, o PRN apresentou de surpresa ontem à noite uma mensagem do ex-presidente Fernando Collor de Mello no horário gratuito. Collor apareceu numa foto ao lado da bandeira nacional e sua voz vinha ao fundo, gravada: "Minha gente... Sempre sonhei com um Brasil próspero e fui arrancado da Presidência pelos mandarins do Estado, pelos quinta-colunas, pelas mãos sujas dos transformistas éticos", afirmou. Foi seu primeiro pronunciamento público depois de ser afastado da Presidência da República, no final de 1992. Collor leu uma carta escrita por ele no dia 31 de julho. Não foram exibidas imagens suas. O ex-presidente disse que há muito tempo desejava falar, mas que circunstâncias cruéis o impediram e ainda o impedem de fazê-lo. "Só me resta então trazer-lhes estas palavras, palavras de alguém sofrido, machucado pela calúnia, atingido e humilhado pelas injustiças", declarou (FSP) (O Globo) (JB).