Os migrantes nordestinos já procuram menos a região Sul e preferem os centros urbanos da própria região. Em São Paulo e Rio de Janeiro houve uma queda considerável no ritmo de crescimento da população devido a esse novo comportamento, registrado pelo Censo de 1991 divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já os sulistas continuam engrossando as levas para as regiões de fronteira, o Norte e Centro-Oeste. Por essa razão, a taxa de crescimento populacional no Norte está em torno de 4% ao ano, enquanto a do Sul é inferior a 1%. A área rural do Nordeste perdeu mais de meio milhão de pessoas desde 1980, a população urbana cresceu 3,55% ao ano-- cerca de 8,2 milhões de pessoas a mais. Alguns estados do Nordeste nem acompanharam a tendência nacional de queda na taxa de crescimento da população. No Rio Grande do Norte, o número de habitantes, que havia crescido 2,05% ao ano entre os censos de 1970 e 1980, passou a crescer à razão de 2,22% ao ano. Em Sergipe, a taxa subiu de 2,38% para 2,47%. A constante migração para as cidades é um dos principais fatores da crescente urbanização do país, segundo o IBGE, que verificou através do Censo de 1991 uma diminuição generalizada na população das áreas rurais. Das 27 unidades da Federação, só nove tiveram aumento da população rural. O crescimento foi mais sensível no Distrito Federal (125%), Roraima (80%), Goiás (24%), Mato Grosso (12%) e Piauí (8%). No Sul e Sudeste, a área rural perdeu pouco menos de 1,8 milhão de habitantes. Nem tudo, porém, devido à migração: o aumento da população urbana se explica também pela incorporação de áreas rurais pelas regiões metropolitanas. Os dados do Censo de 1991 indicam que esses migrantes, ao chegarem às metrópoles, se alojam preferencialmente na periferia. O IBGE constatou que em todas as regiões metropolitanas do país o crescimento da população na periferia foi superior ao do núcleo urbano (JB).