A população brasileira está envelhecendo, porque as taxas de fecundidade declinaram, seguindo uma tendência que se desenha para toda a América Latina. Foi o que mostraram os dados preliminares do Censo de 1991, que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou ontem. Ainda não se sabe quantos brasileiros havia, exatamente, em 1991, porque os dados relativos ao Estado do Pará estão sendo revistos, em razão da suspeita de fraudes na apuração. O dado deverá ser divulgado em setembro. Os dados mostram um país mais urbano, com população mais velha e que
81606 cresce menos rapidamente. São dados fundamentais para o desenvolvimento de
81606 políticas sociais, disse o ministro do Planejamento, Beni Veras. Foram apontadas também melhoras no nível de alfabetização e de saneamento básico. A população brasileira em 1991 era, segundo estimativa do IBGE, de 147.058.881. Sem contar a população do Pará, o total naquele ano era 141.875.415. Foi apurada uma taxa média de crescimento de 1,9% ao ano. O estado da Federação onde houve maior crescimento absoluto do número de habitantes foi São Paulo, onde, com relação ao último censo, houve um acréscimo de 6.548.213 habitantes, seguido por Bahia (2.413.645 habitantes a mais) e Minas Gerais (2.364.599 habitantes). A maior taxa de crescimento, no entanto, foi registrada em Roraima, onde a população cresceu 9,63% em comparação com o total apurado em 1980. Continua forte o movimento de migração para os centros urbanos. A população rural decresceu em 22 dos 27 estados da Federação, sendo a maior taxa registrada no Rio de Janeiro, onde a população rural diminuiu 3,73%. A participação de habitantes de zero a 14 anos diminuiu em todos os estados. Na região Nordeste, por exemplo, eles representavam 43,46% da população em 1980 e, no último censo, eram 39,4% do total. Em contrapartida, as pessoas com 65 anos ou mais, que eram 4,35% do total em 1980, passaram a representar 5,06%. O mesmo foi constatado em todas as demais regiões. Um dado curioso levantado pelo Censo foi o aumento da população economicamente ativa (de 15 a 65 anos), em relação à faixa da população em "situação de dependência" (entre zero e 15 anos ou com mais de 65 anos). No Nordeste, em 1980 havia quase 92 dependentes por grupo de 100 pessoas economicamente ativas, número que caiu para 80 em 1991. No Sudeste, o Censo de 80 encontrou 62 dependentes em cada 100 brasileiros entre 15 e 65 anos; no último Censo, essa relação caiu a 57 para cada 100. O Censo registrou a diminuição do número de habitantes da área rural, que hoje é três vezes menor do que nas áreas urbanas. A região mais urbanizada é o Sudeste (88%), seguida pelo Centro-Oeste (81%). Em termos relativos, o maior crescimento da taxa de urbanização foi a do Nordeste, que passou de 50% em 1980 para 60% em 1991. As regiões metropolitanas vêm crescendo em ritmo mais lento, sobretudo na periferia. Do Censo de 1970 para o de 1980, essas regiões haviam incorporado 10,7 milhões de habitantes. De 1980 para 1991, esse acréscimo foi de apenas 8,3 milhões, principalmente pela queda no ritmo de crescimento do Rio de Janeiro e de São Paulo. No ranking de municípios mais populosos, São Paulo (9,6 milhões) e Rio (5,5 milhões) continuam liderando. Mas Salvador (2,1 milhões) passou para o terceiro lugar, ultrapassando Belo Horizonte (2 milhões). Brasília (1,6 milhão) que estava em sétimo foi para sexto no lugar de Recife (1,3 milhão) e Curitiba (1,3 milhão), apesar de situada na região que apresentou menor taxa de crescimento ao ano, menos de 1%, passou de 10o. para sétimo (GM) (JC) (JB).