O assessor especial para preços do Ministério da Fazenda, José Milton Dallari, disse ontem que o governo irá considerar como "preço abusivo" o repasse dos aumentos salariais concedidos fora de datas-base para os custos dos produtos e serviços. "Na data-base, o trabalhador tem direito a ter seu salário corrigido de acordo com a inflação. Nesse caso, o aumento pode ser repassado proporcionalmente aos preços, mas qualquer outro aumento fora disso, mesmo com o livre mercado, poderá ser considerado abusivo", disse ele. Dallari afirmou que a forma de repasse não é ditada nem está explicitada em lei, mas tem de obedecer a uma lógica econômica. Os reajustes decorrentes de ganhos de produtividade não podem ser repassados, segundo o assessor. Em julho, os sindicatos dos metalúrgicos do Rio Grande do Sul fecharam um acordo com as indústrias prevendo reposições trimestrais de salários, com base na inflação do período, e gatilho que seria disparado quando a inflação ultrapassar 5%. Esses aumentos só serão concedidos se as indústrias puderem repassá-los aos preços (GM).