PROBLEMAS NO TRÂNSITO DE PRODUTOS ENTRE BRASIL E ARGENTINA

Apesar de ter anunciado no último final de semana o fim de "antigas divergências" no âmbito do MERCOSUL, os governos do Brasil e da Argentina protagonizam uma nova disputa em torno do trânsito de produtos agrícolas entre suas fronteiras. Os brasileiros acusam seus vizinhos de estar retendo frutas nacionais na alfândega por uma média de quatro dias até que amostras das cargas sejam enviadas a laboratórios de Buenos Aires para que se verifique a existência de resíduos de defensivos agrícolas. Exportadores e mesmo técnicos do governo brasileiro dizem que a atitude da Argentina não passa de uma retaliação. Há algumas semanas, várias carretas trazendo alho, batata e cebola da Argentina foram impedidas de entrar no Brasil sob o argumento de que não tinham o mesmo padrão de qualidade exigido para os produtos nacionais. Os argentinos negam que esteja havendo retaliação. "Não se falou em momento algum em retaliação, até porque isso não está no espírito do MERCOSUL", argumentou o cônsul-adjunto da Argentina em São Paulo, Gabriel Martinez. Segundo ele, em uma reunião entre técnicos dos dois países, na última semana, constatou-se que há diferenças entre os critérios usados para as análises e que é necessário unificá-los. No encontro, boa parte das queixas veio da delegação argentina. Os técnicos do país vizinho disseram que são os seus produtos que estão sendo retidos na fronteira por períodos que chegam a até 15 dias, enquanto os carregamentos brasileiros recebem um tratamento rápido (GM).