Cartilha confidencial preparada pelo Ministério da Justiça determina ações do governo brasileiro em relação a atos terroristas e a muçulmanos que vivem no país. A cartilha intitulada "Terrorismo" tem cerca de 60 páginas. Foi editada no final de 1992 para direcionar investigações da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) e da Polícia Federal (PF). Desde então, o governo recorre a estas instruções em caso de ameaça terrorista no país. De acordo com a cartilha, partidos políticos como PT, PC do B, MR-8 e PSNB (assim escrito no documento) devem ser investigados. Segundo a cartilha, os partidos e seus líderes representariam perigo já que alguns integrantes se identificam com a causa palestina. As recomendações estão sendo seguidas para investigar a possível passagem pelo Brasil de terroristas responsáveis pelo atentado contra a sede de uma entidade judaica de Buenos Aires, há duas semanas. A intensificação de fiscalização em fronteiras também é recomendada no documento. A área de risco seria o Sul do país. Lá estaria concentrada a maior parte das comunidades palestinas que financiariam atividades da Organização para Libertação da Palestina (OLP). Embaixadas e consulados de países do Oriente Médio, segundo a cartilha, necessitam de "policiamento ostensivo". No serviço de informações brasileiro admite-se que Irã, Iraque, Arábia Saudita e Líbia concentram o "maior foco de terroristas" do mundo. Os principais grupos guerrilheiros e seus líderes estão listados. Sobre o grupo Hizbollah, suspeito do atentado na Argentina, existem poucas informações. O Hizbollah é considerado uma facção libanesa radical. Não está especificado se tem apoio do Irã. Na conclusão da cartilha, está escrito que os povos árabes não separam a ética da religião, da política e de assuntos econômicos. Por esta razão, suas atitudes, por mais absurdas que possam parecer, devem ser investigadas com todo rigor (FSP).