O PRIMEIRO MÊS DO PLANO REAL

O sucesso alcançado pelo Plano Real em seu primeiro mês é quase uma unanimidade. A inflação baixou, os preços caíram e existe a expectativa de deflação já para agosto. O governo, no entanto, está às voltas com um rosário de pressões: de sindicalistas por reajuste mensal de salários; do funcionalismo público civil e militar também por correção dos rendimentos; dos empresários que querem a queda dos juros e um pacote de incentivo às exportações; das estatais que reclamam uma correção das tarifas. Depois de terem aumentado bastante os preços às vésperas da implantação da nova moeda, os supermercados decidiram queimar as gorduras acumuladas. No primeiro mês do plano, os preços caíram até 38% nos supermercados do Rio de Janeiro. Entre os produtos da cesta básica, apenas o arroz subiu (até 10%) no período. A economia entrou devagar no Real: o comércio vendeu menos que o esperado e desovou estoques para fugir do juro alto; a indústria diminuiu a atividade enquanto o comércia adiava a reposição de mercadorias que saiam das prateleiras; e o setor agrícola ficou à espera de São Pedro para vencer a geada e de financiamento para bancar o plano da safra 1994/95. Em vez de recessão, os empresários continuam otimistas. "Os efeitos positivos do Real são tantos que não podemos ficar só batendo nas taxas de juros", declarou o presidente da FIESP, Carlos Eduardo Moreira Ferreira (O ESP) (JB).