A PETROBRÁS nunca imaginou que uma tentativa frustrada de achar petróleo no Nordeste acabaria ajudando a campanha Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida. Esta semana, a empresa assinará um convênio com o governo da Bahia para a reabertura de poços, nos quais, em vez de petróleo, encontrou-se água, o principal combustível para a população nordestina. A PETROBRÁS está entre as 33 estatais que se integraram ao Comitê das Empresas Públicas no Combate à Fome e Pela Vida. Criticadas pelos privilégios e altos salários, as estatais estão usando seus próprios recursos para implantar ações de combate à fome e de geração de empregos. Furnas Centrais Elétricas, por exemplo, que gera energia para a região Sudeste, resolveu aproveitar os reservatórios de suas nove usinas para criar peixes para distribuição às comunidades carentes. As terras que circundam as usinas também estão sendo cedidas para exploração agrícola. Segundo o secretário-executivo do Comitê das Empresas Públicas, André Roberto Spitz, o segredo está nas parcerias. Em Itumbiara (GO), Furnas cedeu 100 hectares de terras para plantação, a EMATER fez o projeto, a prefeitura emprestou as máquinas e empresários doaram as sementes. O resultado foi uma colheita de 200 toneladas de arroz: um terço doado pelo comitê a famílias carentes, um terço a entidades assistenciais e o restante vendido para refinanciar o programa. A ajuda para a campanha vem de todos os lados e, por isso, o comitê organiza as parcerias. A EMBRATEL tinha um satélite para ceder, mas não sabia para quê. Agora, ela vai se juntar ao Ministério da Educação e produzir programas de tele-educação. A Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) sugeriu um programa de tele-saúde, para treinar profissionais de saúde e divulgar campanhas em todo o país. "A idéia é multiplicar o uso dos recursos já existentes nas estatais", diz Spitz. A luta contra a fome e a miséria reuniu cerca de cinco mil pessoas em Brasília (DF), nesta semana, na I Conferência Nacional de Segurança Alimentar. Índios, agricultores sem-terra, moradores de rua, religiosos espíritas, evangélicos e católicos, profissionais liberais, fora os funcionários públicos. Os empregados da Caixa Econômica Federal (CEF) contam que já montaram 1.800 comitês no país. Os do Banco do Brasil (BB), dois mil. Em Florianópolis (SC), a CEF implantou uma fábrica de reciclagem de papel. Em troca de alimentação, educação e serviços de saúde, 200 crianças de rua selecionam os papéis (O Globo).