Ao lançar as linhas gerais de seu plano de governo, no Memorial JK de Brasília, o candidato do PSDB à Presidência, Fernando Henrique Cardoso, admitiu que só num prazo de dois ou três anos o Brasil terá condições de declarar a inflação "coisa do passado". Assim, o candidato acenou com um governo que dê continuidade à estabilização da economia iniciada com o Real e procure as condições para que, em 20 anos, ou seja, no prazo de uma geração, o país "ocupe um lugar entre as grandes nações do século XXI, com progresso e justiça social". Algumas das propostas: abertura da economia, aceleração do processo de privatização, nova política industrial, investimentos em agricultura e tecnologia e exploração de recursos naturais, "sem abrir mão dos cuidados com o meio ambiente e a preservação da biodiversidade". Para o setor público, o candidato defendeu uma reforma fiscal, com novo pacto federativo, e administrativa, com qualificação de pessoal e enxugamento da máquina. Para o setor privado, acenou com uma política industrial ampla e garantia por estímulo governamental permanente. As fontes de recursos enumeradas por FHC foram, além das tradicionais, como orçamento público, a participação nos mercados financeiros nacional e internacional, mediante a emissão de títulos de longo prazo; concessões ou associações do setor público com empresas privadas nacionais e estrangeiras; e financiamentos externos por fontes bilaterais e bancos de fomento. O candidato ratificou os cinco pontos considerados de emergência-- saúde, educação, agricultura, segurança e emprego--, que terão um caderno especial com metas, já a partir da próxima semana, e depois merecerão cadernos isolados, um para cada assunto, com divulgação semanal. O último passo será a edição de um livro com o programa de governo, incluindo as propostas de curto, médio e longo prazos (GM).