TROPA DO BRASIL JÁ ATUA EM MOÇAMBIQUE

Uma companhia de 170 homens do 26o. Batalhão de Infantaria Pára-quedista do Exército brasileiro começa a patrulhar a região da Zambézia, em Moçambique, como integrante do efetivo de 4,7 mil homens de 24 países que compõem a Força de Paz criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para assegurar o fim de uma guerra civil de 17 anos na nação africana e garantir as eleições gerais previstas para o dia 27 de outubro. A primeira missão militar brasileira no exterior desde 1967 poderá representar uma significativa alteração do papel das Forças Armadas no país. Espera-se, nos meios diplomáticos e na oficialidade do Exército, que o Brasil passe a participar constantemente de missões armadas no exterior como meio de garantir um novo status do país nas negociações internacionais e, principalmente, um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Essa experiência poderá ser um embrião de uma força brasileira
81475 especializada em missões de paz, afirmou o major Franklinberg Freitas, comandante do destacamento do Brasil em Moçambique. Os militares brasileiros presentes no país reforçam essa colocação, lembrando que o Exército já possui contingentes inteiramente profissionalizados e equipados para missões dessa natureza, além de estar ganhando experiência com a observação da atuação dos demais destacamentos estrangeiros em Moçambique. O objetivo básico da "Companhia Moçambique" será proteger os destacamentos da ONU que administram a desmobilização dos contingentes da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique, governista) e da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana, de oposição), dois partidos que durante 17 anos travaram uma luta pelo poder no país que custou a vida de um milhão de pessoas, segundo estimativas internacionais. Uma segunda etapa da missão será garantir a paz durante o processo eleitoral em Moçambique, previsto para ter início no dia 20 de agosto, quando se encerrar a fase de cadastramento dos eleitores. Além da companhia de pára-quedistas, já estão em Moçambique 26 observadores militares e 67 policiais de 10 estados brasileiros. De 1993 a fevereiro de 1994, o Brasil teve o comando da Força de Paz da ONU no país, exercido pelo general Lélio Gonçalves, substituído após o término de seu mandato pelo general Mohammed Salam, de Bangladesh (GM).