O anúncio do plano de governo do candidato do PMDB à Presidência, Orestes Quércia, considerado por ele como o ponto de partida da sua campanha eleitoral, não teve ontem, em Brasília (DF), a presença de lideranças nacionais representativas do partido. Apenas um governador, Luiz Antônio Fleury (SP), compareceu. Somente nove deputados federais, oito senadores e 10 candidatos a governos, além do presidente do PMDB, deputado Luiz Henrique, prestigiaram o evento. Quércia apresentou um programa que prevê a divisão do país em cerca de 60 regiões de desenvolvimento e a formação de grupos de empresários, trabalhadores e membros do governo, para elaborar estratégias econômicas para os próximos 12 anos. O programa do presidenciável Quércia prevê o financiamento de boa parte dos investimentos através de créditos lastreados nas reservas internacionais do país. A retomada do desenvolvimento é a linha-mestra do programa. O governo deve manter, segundo o PMDB, participação majoritária nos setores estatais monopolizados (petróleo e telecomunicações). Deve vender, no entanto, ações das companhias e procurar parcerias com o setor privado (também nos transportes). Nas 79 páginas do "Plano de Governo Quércia", não há um plano detalhado de estabilização. O programa critica o Plano Real, que estaria desindustrializando o país, cortando empregos e levando o Estado a uma crise financeira. A alta taxa de juros e o câmbio sobrevalorizados seriam as causas dessa crise. O Estado também seria saneado através de uma reforma tributária e da Previdência. Os juros poderiam ser baixados através da regeneração do crédito. O programa quercista prioriza o sistema de administração e os temas econômicos. Temas como educação básica e reforma agrária merecem uma página e meia cada. O plano prevê a criação de uma "Força Especial", vinculada ao governo federal, para atuar na segurança pública. Um eventual governo do PMDB também defenderia a pena de prisão perpétua para crimes hediondos. Além de propor uma reforma dos códigos Penal e de Processo Penal, o programa afirma que seria proposta imediatamente uma reforma constitucional. Na área social, seria criada a Agência de Desenvolvimento dos Municípios. Trata-se de um programa de assistência nas áreas de habitação, saúde, educação, saneamento e reforma agrária, sob controle direto da Presidência. Os municípios executariam os projetos se aprovados por grupos técnicos federais. Os estados avaliariam e controlariam o programa, que pretende atender a 12 milhões de crianças entre zero e 14 anos. Existe uma versão "popular" do programa de Quércia, sem qualquer detalhamento técnico. É a cartilha "Desenvolvimento é a Solução", com oito páginas (JB) (FSP).