Acabar com a fome e a miséria no país vai ocupar uma ação política coordenada dos próximos três anos. A constatação é do professor Antonio Ibanes, coordenador geral da I Conferência Nacional de Segurança Alimentar, que começa hoje em Brasília (DF). A conferência discutirá em três dias de reuniões, na Universidade de Brasília (UnB), quais as políticas que devem ser implementadas pelos governos e o papel da sociedade no esforço para acabar com a fome. "Se essa política for implementada ao longo dos próximos três ou quatro governos, temos certeza de que vamos conseguir acabar com a miséria", afirmou Ibanes. O objetivo da conferência será definir uma política nacional de segurança alimentar unificando ações de governo. O resultado da conferência será uma proposta de ação global discutida por dois mil representantes de todos os estados. Ibanes acredita que o primeiro sucesso do encontro é o envolvimento da sociedade na elaboração de propostas para acabar com a miséria. A sociedade, segundo Ibanes, conscientizou-se de que o Executivo e o Legislativo não podem agir sozinhos: "É preciso que o cidadão tenha consciência de que não é responsável pela miséria mas precisa dar um pouco de si para resolver o problema". Ibanes lembrou também que a Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida já cadastrou mais de três mil Comitês da Cidadania, sem contar os comitês informais, que podem chegar a 10 mil. "O movimento acabou criando seu próprio fôlego e subsiste sem a necessidade de ajuda oficial", disse, citando números de uma pesquisa que apontou o envolvimento de 11% da população nas campanhas dos comitês (JC).